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História
A ACADEMIA NACIONAL DE BELAS-ARTES é uma instituição de utilidade pública, tutelada pela Secretaria de Estado da Cultura.
É
herdeira da antiga Academia de Belas-Artes
de Lisboa, instituída pela jovem rainha D. Maria II e Manuel da Silva Passos
(Passos Manuel), através do decreto de 25 de Outubro de 1836, em pleno apogeu da
revolução setembrista.
A intenção e as motivações da actual Academia ficaram expressas, com clareza, no decreto-lei n.º
20 977, de 5 de Março de 1932, que a restaurou quase um século depois da sua
fundação — “Na crise de orientação em que se
encontram actualmente as artes plásticas, o remédio para o mal tem ser sobretudo
obra de uma instituição que, reunindo os maiores valores da especialidade, possa
lutar com vantagem contra todos os excessos, fixando o que mereça ser fixado”.
![]() Rainha D. Maria II |
Reconhecia-se a “crise de orientação”,
que o legislador de 32 ultrapassava, interpretando anonimamente o espírito que
inspirava a ideia da fundação da instituição académica, mas sobretudo fixando os
parâmetros da sua intervenção no quadro cultural do País; “À
Academia Nacional de Belas Artes ficam agora somente reservadas funções
académicas, mas essas sem outro limite que não seja o da maior atenção os
interesses artísticos propriamente portugueses, como o exige o título de
Nacional que ela tem”. |
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Missão A actividade da Academia Nacional de Belas-Artes manifesta-se e expressa-se, objectivamente, numa breve menção: pelos trabalhos que desenvolve no decurso das Sessões Ordinárias e das Sessões Extraordinárias (as primeiras reservadas à participação dos académicos Efectivos, limitados estatutariamente ao número de vinte); pela apresentação de Comunicações dos académicos, versando designadamente temas e matéria do âmbito da História da Arte, da Crítica de Arte, da Investigação nos campos artístico e do Património Histórico-Cultural; pela atribuição de diversos prémios anuais, com destaque para o “Prémio José de Figueiredo” e para os “Prémios Aquisição” (Arquitectura, Pintura e Escultura); pelas representações da Academia junto de importantes instituições culturais (Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Ricardo Espírito Santo, etc.); pela participação dos seus representantes também, em júris de concursos e prémios, como o “Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura”, da Câmara Municipal de Lisboa. |
![]() Alegoria à Academia de Belas Artes de Lisboa |
No âmbito da pesquisa sistemática e olhando aos superiores interesses culturais do País, cabe referir a elaboração e publicação, desde 1943, dos volumes do Inventário Artístico Nacional (com edição recente em suporte informático), bem como dos volumes do “Boletim” e de “Belas-Artes: Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas Artes”.
Instalada, desde a extinção das Ordens Religiosas, em salas do Convento de S. Francisco da Cidade, em Lisboa, a Academia espera do poder público a atribuição de novas instalações, que lhe proporcionem melhor desenvolver, incrementar e dar visibilidade às suas iniciativas, do mesmo modo proporcionando instalar condignamente a sua Biblioteca especializada (a criação desta biblioteca data de 1836), disponibilizar à investigação o seu notável e único espólio arquivístico e, finalmente, expor a público, também condignamente, o seu valioso acervo de obras de Arte.
Atenta sempre à evolução cultural e às formas da sua expressão tangível, no universo da criatividade artística, à evolução dos conceitos e aos modos por que se manifesta a inovação, a Academia, na medida das suas limitações e das suas capacidades, e no quadro das suas atribuições, constitui um organismo aferidor e estabilizador no território específico dos seus fins*.
Arq.º Carlos Antero Ferreira
Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa
Académico Efectivo
* FERREIRA, Carlos Antero, Academia Nacional de Belas-Artes, Lisboa: Fundação Sousa Pedro, 2009.